Madalena Iglésias



A beleza e a voz dela desde logo prenderam o público!


Arquivo DN


Gravou mais de 15 discos mas é como se só tivesse interpretado uma canção na vida. Foi em 1966, um twist ligeiro e um vestido curto bem comportado: "Ele e Ela" levou-a ao Luxemburgo, à Eurovisão

Anunciada por Henrique Mendes, entrou no palco com um sorriso, dançando um twist ligeiro, e desatou a cantar em tom de brincadeira, acompanhada pela orquestra dirigida pelo maestro Costa Pinto. A canção que trazia, Ele e Ela, de Carlos Canelhas, deu-lhe passaporte para o Luxemburgo, para o festival da Eurovisão de 1966. Madalena Iglésias morreu ontem de manhã numa clínica de Barcelona, aos 78 anos.

Expoente do chamado nacional-cançonetismo, ao lado de Simone de Oliveira, António Calvário e Artur Garcia, Madalena Lucília Iglésias do Vale passou pelo Centro de Preparação de Artistas da Rádio, da Emissora Nacional, onde entrou aos 15 anos. Antes, já tinha estudado canto no Conservatório e noutra escola, pelo que ao fim de seis meses o responsável daquele centro a considerou pronta a enfrentar os microfones.
Pouco depois já era uma artista da Emissora Nacional, uma vedeta da TV, capa frequente das revistas de espetáculos e começava a carreira internacional. Foi várias vezes eleita Rainha da Rádio, uma iniciativa da revista Flama com votação popular.


Em entrevista à Lusa em 2008, confessou que ser muito bonita a tinha perseguido sempre e a obrigara a trabalhar ainda mais, "como um animal". Já tinha deixado os palcos e os estúdios muitos anos antes, mas mantinha a beleza dos traços e o olhar sorridente. Tinha também deixado Portugal, primeiro pela Venezuela para onde foi viver com o marido em 1972, depois pela cidade de Barcelona. A sua intensa carreira como cançonetista desenvolveu-se, aliás, tanto em Portugal como em Espanha, onde teve público desde que em 1959 ali se apresentou na televisão. Em 1962, participou no Festival de Benidorm e em 1964 venceu o Festival Luso-Hispânico da Canção, em Aranda del Duero.
A carreira no cinema foi também nos dois países, tendo participado em seis filmes, de que se destaca Sarilho de Fraldas, que protagonizou com António Calvário (Constantino Esteves, 1967). Os outros foram: A Canção da Saudade (Henrique Campos, 1964), Uma Hora de Amor, também com Calvário (Augusto Fraga, 1964), Los Gatos Negros (José Luis Monter, 1964), Passagem de Nível (Américo Leite Rosa, 1965) e Os Cinco Avisos de Satanás (José Luis Merino, 1970).


A parceria com António Calvário desenvolveu-se também na canção, como o artista ontem recordou à Lusa. Ela era "uma amiga de sempre" com quem fez digressões por todo o mundo, nomeadamente Estados Unidos e Canadá. "Foi a pessoa com quem mais lidei e a colega com quem mais trabalhei", afirmou o artista, que manteve sempre contacto com Madalena.
Embora intensa, a carreira desta lisboeta batizada em Santa Catarina foi muito mais curta do que a daquela que, na juventude, foi sua concorrente, numa rivalidade estimulada pelos grupos de fãs e pela imprensa. Mais tarde tornaram-se amigas, ela e Simone de Oliveira, que se mantém em palco ainda hoje - nomeadamente com Simone, o Musical, de Tiago Torres da Silva, em digressão pelo país. De facto, Madalena privilegiou, a partir de 1972, a vida familiar - teve dois filhos, Isaura e Miguel - e deixou a carreira para trás, o que significa que não sofreu a pressão das alterações políticas criadas pelo 25 de Abril de 1974, quando o nacional-cançonetismo foi posto de lado, identificado com o regime que terminara.


Simone falou ontem sobre o "grande desgosto" de perder esta amiga . "É verdade que fomos rivais nessa época. Ela tinha um grupo de fãs muito complicado, mas eram coisas de miúdas de 24 ou 25 anos". Realçou ainda que Madalena é a primeira a morrer do quarteto de artistas desses anos - as duas, Calvário e Artur Garcia. "O que fica? Ficam as cantigas, o Ele e Ela e a birra entre a Madalena e a Simone".
Quando Madalena tinha 50 anos, em 1989, Filipe La Feria levou ao palco da Casa da Comédia What Happened To Madalena Iglésias, um musical com Rita Ribeiro à frente do elenco. Veio a Portugal nessa altura e assistiu à peça, comentando depois que se tinha divertido muito - "parti-me a rir".
Foi com uma réplica do cartaz dessa peça, com Madalena a fazer a mesma careta da atriz, que Ana Baião a fotografou para o Diário de Notícias, em 1996, numa entrevista a Nuno Galopim. Segundo este jornalista, coordenador criativo dos festival RTP da canção e do Festival da Eurovisão 2018, "o bom humor dela não se tinha perdido" e guardava "esse lado de catraia divertida" que a caracterizava. Tinha vindo a Portugal para lançar uma antologia das gravações feitas em Espanha pela editora Belter. "Demo-nos tão bem que ela me convidou para jantar numa casa de fados", conta Nuno Galopim, ciente de que talvez o facto de ser sobrinho do cantor Francisco José tenha ajudado.


Ao fim da tarde de ontem, o Presidente da República recordou Madalena Iglésias como "o ídolo de uma geração", explicando este êxito "pela sua presença, pela sua voz, e pela capacidade que teve de apresentar as novidades pop que influenciavam a música ligeira de então".
Em 2008, foi publicada a sua fotobiografia, assinada por Maria de Lourdes de Carvalho e com o título Meu nome é Madalena Iglésias."Nunca parei de cantar, mesmo calada canto para dentro", disse em entrevista.

Vascaínos protestam em São Januário e pedem "fora Eurico"

A manhã deste sábado foi marcada por mais um episódio tumultuado para o Vasco da Gama. Um grupo de aproximadamente 150 torcedores da equipe carioca se reuniu em frente ao portão da sede do clube em São Januário e protestou quanto a indecisão política que vive o time. O principal alvo foi o atual presidente Eurico Miranda, que afirmou na última sexta-feira que irá entrar na Justiça para invalidar o resultado das eleições do clube em que o candidato Julio Brant saiu como vencedor.


Foto: Thiago Ribeiro/Agif / Gazeta Press

Enquanto o protesto acontecia, o vice de futebol do Vasco, Eurico Brandão, mais conhecido como "Euriquinho" concedia entrevista coletiva à imprensa para falar sobre o planejamento feito no clube nas últimas temporadas. Para ele, o trabalho realizado pela atual diretoria superou a desconfiança dos torcedores e ficará marcado como um dos melhores da história do time carioca.
"Superamos as desconfianças nos últimos três anos, porém, nos últimos meses vivemos um imbróglio político, que acaba prejudicando, mas o que eu posso afirmar é que os jogadores sabem a forma do presidente trabalhar. Eu deixo o clube com uma estrutura boa, ainda mais que apenas seis dirigente levaram o Vasco para a Libertadores, minha gestão ficará marcada na história do Vasco", comentou o dirigente. 

Foto: Thiago Ribeiro/Agif / Gazeta Press
"O Vasco tinha uma estrutura de time que poderia ser considerada de uma equipe de Série C. Não tinha uma maca para os jogadores, não tinha a menor estrutura e hoje mudamos esse panorama. Os jogadores também são atraídos por uma boa infra-estrutura, é um cenário totalmente diferente", afirmou o vice de futebol, ressaltando a importância da atual diretoria.
O filho de Eurico Miranda também comentou sobre o grupo de jogadores que forma o elenco atual do Vasco. "Ainda não sei quem vai poder estrear no Campeonato Carioca. Depende muto de quem vai estar registrado. Estou correndo para renovar os contratos. Mas uma coisa que eu tenho certeza é que eu não continuo, independentemente de quem assumir. Esse cargo é extremamente desgastante. É importante salientar que o planejamento todo está sendo feito. Conseguimos cumprir quase tudo até agora", completou. 

Gazeta Esportiva

Beethoven "Sinfonia Nº9" Orquestra da Fundação Gulbenkian de Lisboa


Beethoven "Sinfonia Nº9" Orquestra da Fundação Gulbenkian de Lisboa